Um surto de hantavírus registrado no navio de expedição MV Hondius, que navegava pelo Atlântico Sul próximo à Argentina, acendeu um alerta internacional no início de maio de 2026. Até o momento, foram confirmados 11 casos e três mortes entre passageiros e tripulantes. Apesar da repercussão, especialistas reforçam que o hantavírus não é um agente novo, mas um grupo de vírus já conhecido e monitorado há décadas.
A variante identificada no surto foi o Orthohantavirus andesensis, comum na Argentina e no Chile. Trata-se da única cepa reconhecida com capacidade de transmissão entre pessoas, embora esse tipo de contágio seja considerado raro e geralmente exija contato próximo e prolongado.
No Brasil, a situação é diferente. Os casos registrados no país estão relacionados principalmente aos genótipos Araraquara e Juquitiba, transmitidos pela inalação de partículas presentes na urina, fezes e saliva de roedores silvestres infectados. Não há evidências de transmissão de pessoa para pessoa com essas variantes.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, o risco de disseminação global permanece baixo. A infecção pode causar a Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus, doença grave que começa com sintomas semelhantes aos de uma gripe, como febre, dores no corpo e cansaço, podendo evoluir rapidamente para falta de ar intensa e queda da pressão arterial.
A prevenção envolve cuidados simples, especialmente em áreas rurais e locais fechados por longos períodos. A orientação é nunca varrer ambientes com sinais de roedores sem antes umedecer o chão com água e água sanitária, evitando que partículas contaminadas sejam dispersas no ar.
Embora rara, a doença exige atenção. Informação correta e medidas preventivas continuam sendo as principais formas de proteção.