Vamos iniciar com frases que meus pacientes sempre usam em casa antes da terapia:
– Poxa vida! Você sempre faz isso!
– Você nunca me obedece. Dá nisso!
Estas frases são familiares para você? Creio que sim. Mas qual o sentimento que te vem ao lê-las logo assim, no início de um texto?
Marshall Rosenberg, psicólogo americano, chamava isso de “comunicação alienante”. Esta é uma comunicação que, na melhor das hipóteses, tem efeito nulo. Na maioria das vezes traz desejo de distância. Quase o contrário do que queríamos obter. A frase central de seu livro é:
“Todo ato violento é uma forma trágica de expressarmos uma necessidade não atendida.
Todas as brigas nascem de uma necessidade de alguém que não foi devidamente atendida. Desde uma briga de casal até uma guerra entre países. E sim, por mais grave que seja a situação, é possível expressar-se de uma forma muito mais certeira. Marshall Rosenberg, com seu método, conseguiu tornar-se mediador de conflitos entre Israel e Palestina, foi chamado para acalmar ânimos nos conflitos raciais que haviam nos Estados Unidos, conflitos empresariais…Rosenberg tornou-se um verdadeiro apagador de incêndios. Se isso funcionou em guerras, eu concluo que funcionará em campos de batalha menores como nossos lares.
O que queremos diante de um descontentamento? Pedir uma nova atitude, certo?
Um dos piores erros das frases com as quais iniciei o texto são os termos “nunca”e “sempre”. Estas palavras pesam o clima de qualquer lar. Escurecem o ambiente. Dizer ao cônjuge que ele “sempre faz errado” é desmerecer qualquer ato positivo que ele tenha feito na vida. Dizer à esposa que ela nunca faz o que você pede é ir além dos fatos reais. É desanimador.
Uma dica valiosa é dizer apenas o que a pessoa fez. Relate o fato sem dar um nome à ele. Uma coisa é dizer “você fez esta idiotice de novo”, outra coisa é dizer: “você comprou de novo coisas que não precisávamos”. Nem, parece o mesmo ato, não é? Mas acredite em mim: ao dizer da segunda forma você conseguirá com maior probalidade a mudança esperada. Não rotule o que o outro fez de idiotice, besteira, frescura, entre outros rótulos. Não rotule a própria pessoa dizendo: “ô, folgado, tira essa toalha daí”. Seria melhor dizer: “não deixe a toalha aí”. Achar que só te respeitam “no grito” é querer implantar a obediência ou o respeito pelo medo. Se funcionar, será pelo pior dos motivos, e você não mora com inimigos.