Vitaminas, minerais e outros suplementos podem contribuir para a saúde de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), mas será que todos precisam suplementar?
A suplementação nutricional no autismo tem despertado o interesse de famílias e profissionais de saúde. Entretanto, é importante compreender que o TEA é uma condição do neurodesenvolvimento e que nenhum suplemento, isoladamente, é capaz de tratar suas características centrais.
Um dos principais motivos para investigar a necessidade de suplementação é a seletividade alimentar, frequente em pessoas autistas. A recusa de determinados alimentos, texturas, sabores e cheiros pode limitar a variedade da alimentação e favorecer deficiências nutricionais.
Quais nutrientes merecem atenção?
Vitamina D, ferro, cálcio e vitamina B12 estão entre os nutrientes que podem precisar de avaliação, dependendo dos hábitos alimentares e das condições clínicas individuais. Quando uma deficiência é identificada, a suplementação orientada pode ajudar a restabelecer níveis adequados e prevenir complicações.
O ômega-3 também é bastante estudado, mas ainda não existem evidências científicas consistentes de que sua suplementação melhore as características centrais do autismo. Já a melatonina pode ser considerada em situações específicas de dificuldade para dormir, sempre mediante avaliação profissional.
Suplementar sem necessidade pode trazer riscos?
Sim. O excesso de determinadas vitaminas e minerais pode provocar efeitos adversos, além de mascarar problemas nutricionais que precisam ser investigados.
Por isso, a avaliação individualizada, considerando alimentação, crescimento, sintomas e, quando indicados, exames laboratoriais, é fundamental.
Mais do que oferecer suplementos, o objetivo deve ser garantir uma nutrição adequada, respeitando as particularidades sensoriais e alimentares de cada pessoa autista.
Cuidar da nutrição no TEA não significa buscar uma fórmula milagrosa, mas promover saúde, desenvolvimento e qualidade de vida com acompanhamento especializado.