Cirurgia robótica: Uma realidade entre nós

Em 2019 chegou o robô a nossa São José do Rio Preto, graças a uma iniciativa pioneira da Diretoria da Associação Portuguesa de Beneficência (APB) e da qual como Membro da Comissão de Cirurgia Robótica fizemos parte de sua implantação. Hoje estamos próximos da realização de 2.000 casos, seja em Urologia, no tratamento das Neoplasias Prostática, Renal, Vesical e de tumores retroperitoneais, sua principal indicação inicial até outras áreas médicas como a Cirurgia Oncológica, Cirurgia Geral, Cirurgia Torácica, Ginecologia e demais especialidades.

A cirurgia robótica iniciou-se nos Estados Unidos em 2000 e no Brasil vem ganhando seu espaço desde 2008, inicialmente sempre nas grandes capitais. A história da robótica médica inicia-se no início da década de 90 quando se desenvolveu o primeiro sistema para cirurgia robótica: o AESOP, um braço mecânico que segurava a ótica laparoscópica e podia ser controlado pelo cirurgião com pedais ou comandos de voz. Em 1995 a mesma empresa, a Computer Motion, desenvolveu o ZEUS a partir do AESOP, um robô com três braços, dois para manusear os instrumentos e um terceiro para operar a câmera, que era gerenciada pelo sistema. A empresa foi comprada pela Intuitive Surgical e surgiu o Da Vinci, um sistema robótico ativo mais completo, composto por quatro braços robóticos com flexibilidade de 360º, um deles manipula um endoscópio que gera imagens 3D e os outros manipulam hábeis instrumentos cirúrgicos. Integrando o sistema, tem-se um console, no qual os médicos recebem as imagens tridimensionais de alta definição e realizam os movimentos operatórios com as próprias mãos. Nele encontram-se sensores capazes de medir as forças de interação da ferramenta nos tecidos, bem como um sensor de presença. Além de um hardware externo, o sistema conta com um software responsável pelo posicionamento das ferramentas, tendo como base a matemática matricial.

É um procedimento minimamente invasivo que segue a mesma linha da cirurgia laparoscópica. A diferença é que, na laparoscopia, as pinças são manipuladas pela mão do cirurgião. Na robótica, pelos braços do robô comandados por um cirurgião a distância, sentado em um console com os dedos polegar, indicador e médio introduzidos em um dispositivo que aciona e dirige os movimentos do robô.

As principais vantagens dos procedimentos minimamente invasivos são: reduzir as infecções operatórias, diminuir o sangramento, reduzir o tempo de estadia hospitalar, minimizar o uso de analgesia e melhorar a estética da ferida operatória.

A verdadeira vantagem da cirurgia robótica é a sua precisão. A visão do cirurgião é de alta definição, tridimensional e com magnificação de 10X, sendo excelente e superior à da laparoscopia. Os instrumentos são precisos e realizam movimentos semelhantes à mão humana (Endowrist), com sete graus de liberdade três para translação, três para rotação e um para agarramento. Não há tremor nem cansaço. Para o cirurgião existe grande vantagem na ergonomia; pois, trabalha sentado, relaxado, com a fronte apoiada no visor do console. Se ele afastar a cabeça do console, os braços do robô param de funcionar imediatamente – sempre lembrando que o robô não trabalha sozinho: quem opera é o cirurgião!.

Hoje em dia além do Da Vinci (Intuitive Surgical) já existem várias outras plataformas robóticas pelo mundo, algumas delas já chegando ao Brasil, tais como o Hugo RAS (Medtronic), o Versius (CMR Surgical) e o Toumai (Microport).

Prof. Dr. Rui Nogueira Barbosa
Médico Urologista e
Cirurgião Robótico Certificado pela Intuitive Surgical (Atlanta – EUA) e pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU)
drruinogueirabarbosa.com.br

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Dr. Rui Nogueira Barbosa

Urologista e Cirurgião Robótico

CRM 64.401 | RQE 13.906

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