Prof. Dr. Hamilton Funes | CRM 37.616
A sala está silenciosa. O cirurgião está sentado a um console, a poucos metros do paciente, controlando braços articulados com precisão milimétrica. Na tela à sua frente, uma imagem tridimensional em alta definição, sem tremor de mão, sem limitação de ângulo.
Por muito tempo, a palavra cirurgia carregou uma carga de medo, incerteza e recuperação longa. Esse cenário foi se transformando ao longo de décadas de inovação que mudaram a forma como operamos e, principalmente, como o paciente vivencia e se recupera de um procedimento cirúrgico. A cirurgia robótica é o capítulo mais recente dessa história, construída com tecnologia e um olhar cada vez mais atento ao bem-estar de quem está na mesa de operação.
Das origens à prática
Quando comecei a operar por videolaparoscopia em 1992, em São José do Rio Preto, a técnica ainda era novidade para a maior parte dos cirurgiões brasileiros. A câmera, as pinças e as pequenas incisões mudaram a forma de operar e, principalmente, tornaram a recuperação muito mais confortável para o paciente.
A história da cirurgia robótica começa alguns anos antes, nos anos 80, quando pesquisadores americanos e europeus investigavam como a tecnologia poderia ampliar as capacidades do cirurgião. Os primeiros sistemas eram experimentais, desenvolvidos em parceria com agências militares que buscavam soluções para operar soldados feridos à distância. Em 2000, o sistema Da Vinci recebeu aprovação da FDA e se tornou o marco da cirurgia robótica moderna, abrindo caminho para sua adoção em hospitais ao redor do mundo.
Nos anos seguintes, os instrumentos ficaram mais precisos, a visão tridimensional mais nítida e o leque de procedimentos se expandiu para urologia, ginecologia, cirurgia geral, gastroenterologia e cirurgia bariátrica, chegando gradualmente à prática clínica cotidiana.

O que muda na prática?
A cirurgia robótica se destaca em procedimentos que exigem precisão em espaços de difícil acesso, como cirurgias no aparelho digestivo, na região pélvica e em estruturas próximas a vasos e nervos. Para o paciente, os resultados são perceptíveis: incisões menores, menos sangramento, internação mais curta e recuperação mais gradual, com retorno mais precoce às atividades do dia a dia.
O que me chama atenção, depois de tantos anos operando, é que a tecnologia robótica não substitui o julgamento clínico do cirurgião nem a relação que ele constrói com o paciente. Ela amplia as possibilidades técnicas, mas a decisão de operar, a escolha da abordagem e o acompanhamento da recuperação continuam sendo, acima de tudo, um ato humano.

O que vem pela frente?
A integração de inteligência artificial aos sistemas cirúrgicos já é uma realidade em desenvolvimento, com algoritmos capazes de identificar estruturas anatômicas em tempo real e contribuir para decisões durante o procedimento. A cirurgia à distância, realizada por conexões de alta velocidade, começa a sair do campo experimental, com implicações para regiões com acesso limitado a cirurgiões especializados, algo relevante para um país com as dimensões do Brasil.
À medida que os sistemas robóticos se tornam mais acessíveis e a formação de cirurgiões nessa área se expande, a robótica deixa de ser privilégio de grandes centros e passa a alcançar cidades como a nossa. Acompanhar esse movimento de perto é algo que considero um privilégio e uma responsabilidade.

Fechamento
Acompanhar a evolução da cirurgia ao longo de mais de cinco décadas é perceber que a tecnologia sempre esteve a serviço de um objetivo simples: operar melhor para que o paciente se recupere melhor. Da cirurgia aberta à videolaparoscópica, da videolaparoscópica à robótica, cada avanço respondeu ao que mais importa dentro e fora da sala de operação.
Para quem está diante de uma indicação cirúrgica, saber que essa tecnologia já está disponível em Rio Preto pode mudar a forma como se enxerga o processo. Menos medo, mais clareza e a certeza de que cada etapa está sendo conduzida com cuidado. A cirurgia robótica não é o destino final dessa história, e continuarei acompanhando seus próximos passos com o mesmo interesse com que comecei a operar, há mais de cinquenta anos.
Prof. Dr. Hamilton Funes | CRM 37.616 | Cirurgia Geral RQE 274 | Cirurgia Bariátrica RQE 2741 | Gastroenterologia RQE 487
Nuclehum Clínica | São José do Rio Preto