Essa é uma dúvida muito comum entre pais e cuidadores, principalmente quando percebem que a criança é mais baixa em comparação aos colegas da mesma idade. Em muitos casos, essa diferença faz parte da variação natural entre indivíduos. Mas, em outros, pode ser sinal de que algo precisa ser investigado.
Recebo diariamente famílias preocupadas e, muitas vezes, angustiadas com o crescimento dos filhos. E sim, existem situações em que é fundamental avaliar a baixa estatura de forma cuidadosa e, quando necessário, iniciar o tratamento adequado.
Do ponto de vista médico, consideramos baixa estatura quando a criança está com altura abaixo do percentil 3 na curva de crescimento para idade e sexo — ou quando apresenta uma velocidade de crescimento abaixo do esperado ao longo do tempo.
Não é apenas uma questão de “ser mais baixo” que os colegas. O importante é entender se a criança está crescendo de forma proporcional e contínua, ou se o crescimento desacelerou ou parou, o que pode indicar algo além do genético.
Existem diversas causas possíveis, e é justamente o papel do endocrinologista investigar com precisão. Entre as mais comuns, estão:
- Fatores genéticos (pais naturalmente baixos);
- Atraso constitucional do crescimento e puberdade (a criança cresce mais devagar, mas atinge altura normal na fase adulta);
- Problemas hormonais, como deficiência de hormônio do crescimento, hipotireoidismo;
- Doenças crônicas, como celíaca, renais ou cardíacas;
- Uso crônico de corticoide;
- Distúrbios nutricionais;
- Alterações genéticas ou síndromes específicas;
- Baixa estatura idiopática.
Cada caso é único, e o tratamento só é indicado quando há um diagnóstico bem definido.
Quando levar a criança ao endocrinologista?
Alguns sinais de alerta para buscar avaliação especializada:
- A criança parou de crescer ou cresce muito pouco por ano;
- Altura muito inferior à média da idade;
- Histórico de puberdade precoce ou muito tardia;
- Pais altos, mas criança muito abaixo da curva esperada;
- Comparações com irmãos mostram grande diferença.
O endocrinologista vai avaliar a curva de crescimento, o histórico familiar, o desenvolvimento puberal, além de solicitar exames laboratoriais e de imagem, quando necessário.
Em alguns casos, pode ser indicado o uso de hormônio do crescimento. Mas é importante deixar claro: esse tratamento só é recomendado quando há diagnóstico comprovado e indicação clínica. Não se deve usar de forma estética ou preventiva. Crescer é um processo complexo, e cada etapa precisa ser respeitada.
Se você tem dúvidas sobre o crescimento do seu filho, consulte um especialista. Avaliar cedo faz toda a diferença.