O Hospital de Base de São José do Rio Preto começou 2026 com um ritmo acima da média na captação de órgãos. Até 3 de março, a instituição contabilizava oito captações, incluindo quatro corações, resultado atribuído à atuação contínua da Organização de Procura de Órgãos (OPO) e à integração com a Central de Transplantes.
Um dos números que mais chamam atenção é o índice de autorização familiar: 75% nos 24 hospitais atendidos pela OPO do HB, patamar considerado elevado para o padrão brasileiro. Em âmbito nacional, a recusa familiar ainda é um dos principais entraves: o Ministério da Saúde estima que 45% das famílias recusam a doação, e lançou programas para qualificar a conversa e o acolhimento nesse momento delicado.
Além da abordagem humanizada, a logística tem sido decisiva. Em captações multiorgânicas, o tempo é crítico, especialmente para o coração, que tem janela curta fora do corpo. A operação em Rio Preto tem contado com apoio do TransplantAR (aviação solidária) para agilizar o transporte de equipes e órgãos, reduzindo deslocamentos e ampliando a chance de sucesso do transplante.
Os indicadores regionais também foram destacados: a área atendida pela rede do HB chegou a 46 doadores por milhão de habitantes (pmp), acima da média do Estado de São Paulo (22 pmp) e do Brasil (20 pmp), segundo divulgação local ligada à Funfarme.
Especialistas reforçam que a decisão de doar precisa ser conversada em família. No Brasil, a doação só acontece com autorização dos parentes, e essa escolha pode salvar múltiplas vidas em poucos minutos.