A Boa Indicação de Correção de uma Hérnia: Como a Cirurgia Pode Melhorar Sua Qualidade de Vida

A hérnia de parede abdominal ocorre quando há uma abertura ou enfraquecimento na parede abdominal, permitindo que parte de um órgão ou tecido interno se projete para fora. Entre as mais comuns estão a hérnia inguinal, a hérnia incisional e a hérnia umbilical — condições que podem causar desconforto e comprometer a qualidade de vida se não tratadas adequadamente.

As hérnias da parede abdominal são comuns na população e chegam a afetar entre 20% e 25% dos adultos, o que representa, em média, 28 milhões de brasileiros, segundo dados do DATASUS. Foram realizadas no Brasil 349.968 cirurgias de hérnia da parede abdominal, em 2024, através do Sistema Único de Saúde (SUS). Do total, 38.665 (11%) foram de urgência e 311.300 cirurgias eletivas, de acordo com levantamento da Sociedade Brasileira de Hérnia. O outro lado desta moeda está na diminuição da força de trabalho do país. Só em 2024, as hérnias abdominais foram responsáveis por cerca de 3% dos afastamentos temporários no país, conforme dados da Previdência Social, totalizando 103 mil benefícios.

As hérnias de parede abdominal podem gerar muitos impactos, seja nas atividades do cotidiano, com limitação de movimento, ou mesmo em aspectos mais subjetivos da vida pessoal.

Uma das consequências mais recorrentes é o distanciamento social (dessa vez, nada a ver com máscaras e álcool em gel). Pacientes com hérnias complexas, sejam elas gigantes ou com colostomia associada, por exemplo, tendem a se isolar. Casamentos, batizados, festas de fim ano podem tornar-se ambientes onde o paciente se sente exposto, gerando altos níveis de ansiedade, medo de julgamento e estigma.

A hérnia incisional surge em locais onde o paciente já foi operado, por enfraquecimento da parede abdominal ou cicatrização inadequada. Além do desconforto, pode causar impacto estético e funcional. Nestes, o sentimento de culpa pode também fazer parte do pacote. Por vezes, a própria equipe médica leva o paciente a acreditar que ele desenvolveu uma hérnia por ter feito esforço, por exemplo. Incentivar este tipo específico de paciente a se mobilizar precocemente no pós-operatório e à atividade física se torna um desafio dobrado, pois ele está convencido que de que se autoprovocou uma hérnia.

Sexualmente falando, as hérnias abdominais podem ter um impacto enorme. Não só pela autodepreciação ou diminuição da autoestima, mas também por dor, diminuindo a frequência das relações e diminuição a satisfação pessoal.

As técnicas atuais de correção são menos invasivas, com recuperação rápida, menos dor e cicatrizes discretas. Ferramentas como a cirurgia robótica vieram para revolucionar este cuidado e aumentar as possibilidades de recuperação de qualidade de vida no menor tempo possível.

Discutir a correta abordagem, qual tela vai ser utilizada e qual o melhor procedimento a ser indicado, é uma tarefa complexa, que exige uma boa relação médico-paciente, um extenso arcabouço teórico e uma prática clínica guiada por ética e competência.

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Dra. Gabriela Gouvea Silva

Cirurgia Geral

CRM/SP 183.112 | RQE 79.179

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