Nas últimas décadas, o transplante de córnea foi a principal solução para doenças que comprometem o endotélio corneano, como a ceratopatia bolhosa e a distrofia de Fuchs. Embora o procedimento seja eficaz, a dependência de doadores e a alta demanda fazem com que milhares de pacientes enfrentem longas filas de espera. Felizmente, novas abordagens científicas começam a transformar esse cenário, e uma das mais promissoras é o uso de células endoteliais cultivadas em laboratório.
Pesquisadores ao redor do mundo têm avançado na técnica de expansão celular, em que células sadias do endotélio são cultivadas, multiplicadas e posteriormente injetadas no olho do paciente. Diferente do transplante convencional, que exige a substituição parcial ou total da córnea doada, este método utiliza apenas as células necessárias para restaurar a função endotelial, preservando a estrutura corneana do próprio paciente.
Os resultados iniciais são animadores: a recuperação tende a ser mais rápida, o risco de rejeição é menor e a necessidade de tecidos doados é drasticamente reduzida. Em alguns estudos, uma única córnea de doador foi suficiente para gerar material capaz de tratar diversos pacientes (algo impensável na técnica tradicional).
Embora ainda esteja em fase de pesquisa e regulamentação em muitos países, essa abordagem tem potencial para revolucionar o tratamento das doenças endoteliais e, principalmente, diminuir de forma significativa a fila de transplantes. Se as próximas etapas confirmarem segurança e eficácia em larga escala, estaremos diante de uma mudança histórica na oftalmologia, capaz de ampliar o acesso, reduzir custos e oferecer uma alternativa moderna, menos invasiva e mais sustentável para nossos pacientes.